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7.23.2009

O Homem que Não Amava II

-Eu estou bem?

-É uma boa pergunta pra começar Paulo. Mas não sou eu que dou a resposta.

-Eu não sei. Tirando as dores do acidente acho que estou bem. Lhe perguntei por que não vejo razão para ter que passar por uma pscicologa.

-Agora a vida continua não é? Conversei com sua esposa Daiane. Ela me contou que estão realizando os preparativos para o casamento.

-Sim me lembro, mas está tudo meio confuso ainda.

-O que está confuso? Não se lembra do casamento?

-Não! Me lembro sim, só que não sei. Acho que quase morrer tem sido uma experiência que me chamou mais a atenção do que o casamento. Não consigo parar de pensar no fato de sobreviver, incrivel né?

-Sim. Fica feliz em sobreviver?

- Não é feliz. Acho que por isso que não consigo parar de pensar.
Eu quero viver, não duvide disso, mas me sinto tão indiferente quanto a ter escapado da morte. Eu sempre amei minha vida então não vejo motivos para querer morrer, mas o fato de ter escapado da morte deveria me deixar feliz não devia? E eu me sinto indiferente.


- Paulo, é por isso que estou aqui. Eu vim a pedido da equipe médica que esteve auxiliando em sua recuperação. Existe algo importante que você precisa saber.

-Não tem nada haver com morrer em 6 meses não né? Ou tem?

-Não. Você já se recuperou do acidente e está apto novamente a retornar para sua vida diária. Só que agora você carregará uma sequela que te torna.. Diferente.

- O que aconteceu?

- Seu cérebro foi afetado no acidente. Exitem áreas responsaveis pelos seus sentimentos que não estão funcionando como deveriam e isso pode lhe trazer uma nova visão de mundo. Vim a pedido da equipe para lhe oferecer terapia.

-Como assim? Terapia? SentimentoS? Não entendi o que está ocorrendo.

- Sr. Paulo, você terá dificuldades quanto aos seus sentimentos. Você terá que aprender novamente como sentir. E é pra isso que estou aqui. Para lhe euxilar.

Cena 2

7.19.2009

O Homem que Não amava.

- Ele não amará mais.

-Dr. nos iamos nos casar. Nos tinhamos planos e sonhos! Está me dizendo que nada disso será mais possivel?

-Não. Estou lhe dizendo apenas que ele não ama mais. E não amará mais. Claro que existe a possibilidade de um recuperação da parte frontal de seu cérebro, mas até o momento é cedo para dizer sobre todas as sequelas. O que podemos afirmar categoricamente é que sentimentalmente Paulo não terá mais um equilibrio.

- Mas existe possibilidade de cura, não existe Doutor? Ele pode novamente, amar não é?

-Daiana, é cedo para dizer. Seu cortéx de ínsula e o putâmen foram afetados de modo muito raro. Você tem que se preocupar por enquanto com o ambiente em que o Paulo viverá. Não sabemos até que ponto ele estará isento das ‘sensações sentimentais’, por isso ele precisa de apoio. Você deve se focar por enquanto na recuperação dele, afinal são raros os acidentes de moto que terminam bem. E você sabe disso.

-Quando você acredita que ele poderá sair daqui?

-Bem, a recuperação dele tem sido rapida e produtiva. Creio que dentro de alguns dias ele estará pronto para retornar a sua casa. Estou aguardando alguns resultados de sangue para receitar alguns medicamentos relacionados aos hormônios. Por enquanto descanse.

Ele não vai mais me amar e não me desejará como antes, pensou Daiane enquanto de braços cruzados caminhava até o ascento mais próximo. Sentia que sua vida seria muito diferente a partir daquele momento e que qualquer coisa que idealizasse para si poderia ser frustrado como foram os sonhos de 5 anos.

-E tudo isso por causa de uma moto.

Resmungou.



Cena 1